[caption id="attachment_5030" align="aligncenter" width="1024"] A entrada é gratuita[/caption]

Fique atento para a data: dia 14 de julho é o último dia para ir até o Centro Cultural do BNDES e conferir a exposição "Morro da Favela à Providência de Canudos", obra do fotógrafo carioca Maurício Hora. Nascido na comunidade da região do Centro do Rio, ele foi buscar a conexão histórica entre o Morro da Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro, e a cidade de Canudos, no sertão da Bahia.


A começar pelo termo "favela", descobre-se muita coisa em comum entre o morro carioca e o sertão baiano: favela é, na verdade, o nome popular de uma planta, um arbusto muito comum por lá e dá nome ao morro na cidade de Canudos - a mesma que foi praticamente dizimada após a guerra deflagrada entre o exército brasileiro e os fiéis seguidores de Antônio Conselheiro (há uma obra muito interessante sobre o tema: o filme Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, foi apresentado como minissérie na Rede Globo e conta a  história do conflito através de um viés ficcional - e coube ao saudoso José Wilker o papel o profeta).


A conexão com o Morro da Providência vem justamente daí: ele foi primeiro morro carioca a ter uma ocupação, justamente dos ex-combatentes e sobreviventes da guerra ocorrida no nordeste. Protegido pelo próprio Ministério da Guerra (antigo nome do Ministério da Defesa, cuja sede é próximo à Central do Brasil, bem perto da região), porém sem maiores ajudas governamentais, a população se virou como pôde.


Maurício Hora traça um paralelo interessante, aproximando os espíritos fortes e felizes dos moradores das duas regiões. As histórias deles são completamente diferentes, mas ao mesmo tempo parecidas: apesar de todas as dificuldades, ainda há esperança em dias melhores. Lugares belos e degradados, massacrados por políticas e descaso. Ainda assim, o povo resiste.




[caption id="attachment_5032" align="aligncenter" width="1024"] No saguão antes da entrada da galeira, uma instalação apresenta miniaturas das fotos em exposição[/caption]

Além das belíssimas fotos de Hora, há duas instalações muito interessantes: nas TVs dentro das casas de um sertanejo e um morador da comunidade exibem depoimentos de moradores e reforçam a ideia da proximidade entre eles, apesar das diferenças. Também há um lindo arco representando a ruína de Canudos - a primeira cidade com esse nome foi destruída e submergida para a construção de uma barragem, e só é possível visitar as ruínas em tempos de seca severa - que tanto divide quanto une as duas metades da exposição.




Morro da Favela à Providência de Canudos, de Maurício Hora.
Centro Cultural BNDES -  Av. República do Chile, 100.
Segunda a sexta, das 10h às 19h. Entrada gratuita.


[caption id="attachment_5029" align="aligncenter" width="1001"] Uma das instalações representa o interior de uma casa de pau a pique[/caption]

[caption id="attachment_5028" align="aligncenter" width="1024"] Outra representa um barraco na favela[/caption]