Então você está em Londres, a segunda cidade mais visitada do mundo atualmente (perdendo para Bangcoc, na Tailândia), e lá está cheio de monumentos e atrações turísticas, sempre lotados de turistas, e muitos habitantes da cidade circulando de um lado para o outro. Bate aquela dúvida: e agora? Faço o programão de turista e fico horas na fila ou me arrisco a transitar como um local (mesmo sem ter feito o dever de casa e pesquisado como me locomover, o que ver etc.)?



[caption id="attachment_5267" align="aligncenter" width="1024"] Encontrar coisas assim no caminho: não tem preço![/caption]
Na base do tentativa e erro, acabei indo dois dias da minha viagem para a região: um foi dedicado aos pontos turísticos e o outro foi para andar a pé, sem pressa, para descobrir coisas legais no caminho. O trecho que fui fica exatamente na curva do Tâmisa, o maior rio inglês, entre as pontes de Westminster e Tower Bridge - muito pouco perto dos 346 Km de extensão dele. Mas ali, naquele trecho, ficam atrações turísticas históricas e mundialmente famosas. Eis o que vi.


Dia 01


Westminster e o Big Ben


Todo mundo já ouviu falar que as Casas do Parlamento e do Big Ben (provavelmente  prédio mais famoso, maior cartão-postal da cidade) ficam em Westminster. O Big Ben, aliás, é só o sino da torre do relógio, mas muita gente confunde e acha que é a torre, o relógio ou toda a construção. Dá até um arrepiozinho ouvir as badaladas marcando a hora certa...



[caption id="attachment_5252" align="aligncenter" width="1024"] Apesar de sair "no pé" do relógio, para ter uma foto da fachada é preciso atravessar a ponte[/caption]
Saindo na estação do metrô de mesmo nome, cheguei a pensar que saltaria bem próximo do monumento - mas, na verdade, eu me senti saindo de dentro do Big Ben! Subi as escadas e quando me virei, procurando alguma placa ou ponto de referência, lá estava ele, na minha frente (praticamente "saindo" da minha cabeça!). Daí foi só controlar a emoção e procurar o melhor ângulo para tirar uma foto legal - eu recomendo atravessar a rua ou percorrer toda a ponte até a outra margem para ter toda a fachada em um a única foto, mas se quiser tirar foto só com o relógio, é tranquilo de fazer uma selfie ali. De perto, vale notar a quantidade de detalhes no prédio, especialmente a quantidade de vidros e janelas.


Abadia de Westminster


[caption id="attachment_5256" align="aligncenter" width="680"] É bonita demais, não é?[/caption]
A Abadia de Westminster está a poucos metros de distância das casas do parlamento, mas eu só a visitei externamente. Local da coroação dos reis e rainhas do Reino Unido (e onde foram celebrados os casamentos reais da rainha Elizabeth II e, mais recente, do seu neto William), tem visita paga (e o preço é salgado) e não se pode filmar nem fotografar no interior dela. Portanto, naquele dia, eu fui lá e fiz igual ao Júlio César: "vim, vi e venci"; fotografei a entrada e voltei para a outra atração - que, à época, me pareceu mais empolgante.


London Eye e passeio pelo rio


Um dos ícones de Londres, já apareceu em vários filmes. Chegamos lá e fomos direto ao guichê comprar o ingresso, onde fiz um bom negócio: comprei ingressos para a London Eye e para o museu de cera Madame Tussauds, além de um tour pelo rio depois de sair da roda-gigante panorâmica (há outras opções de pacotes de ingressos, e até de comprar para visitar apenas a atração, mas optei por esse). A subida é lenta e gradual,  a roda nunca para de girar. Então você sobe com ela em movimento e espera ela dar a volta completa, enquanto observa a cidade.



[caption id="attachment_5257" align="aligncenter" width="1024"] Da ponte já dá pra ver![/caption]
Lá de cima pode ser até um pouco monótono, mas eles pensaram em tudo: enquanto esperamos chegar no ponto mais alto, para ter uma vista de 360° da cidade, podemos descobrir como foi criada a atração, saber detalhes dos prédios no entorno e ter uma prévia da vista panorâmica de dia ou de noite - tudo isso no totem de pesquisa dentro da cabine. É muito legal, porque proporcional àqueles que forem em um período do dia experimentar como seria no outro - e a paisagem muda completamente!



[caption id="attachment_5254" align="aligncenter" width="1024"] O embarque é aos pés da London Eye[/caption]
Descendo, fomos para nossa embarcação. Esperamos mais um pouco até a barca chegar e partimos para um passeio curto - até a Tower Bridge, onde desembarcamos e encerramos o nosso tour do dia. O guia era simpático e apontava várias construções famosas, colégios, as pontes que cruzávamos - porém tudo em inglês e sem a opção de um texto e/ou áudio em outra língua. Para mim, não chegou a ser um problema - até porque estava tão encantada com o que via que mal ouvia o que ele dizia - mas isso pode ser um pouco complicado para quem não domina o idioma. Devo dizer também que estava mal acostumada com o tour panorâmico e seu sistema de explicação multilíngue já embutido no ingresso, o que facilita muito a vida. Mesmo assim, foi maravilhoso.



Dia 02


Nesse dia, a gente andou muito! Foi tanta coisa que eu acabei "esbarrando" que, mesmo chegando ao fim do dia exausta, me senti muito feliz. Tudo valeu a pena.


Torre de Londres


[caption id="attachment_5258" align="aligncenter" width="1024"] Vista da fortaleza da Tower Hill[/caption]
Começamos aqui, saltando do ônibus no ponto da Tower Hill, perto perto da entrada da Torre de Londres. De residência real dos Tudor a prisão (da era medieval e até durante as duas Grande Guerras) e local de tortura que garantiram sua fama até hoje, sua função é muito mais agradável atualmente. Ponto turístico indispensável, a poucos metros de uma das mais icônicas referências de Londres, a torre é, na verdade, um complexo. Lá dentro acontecem atividades como encenações medievais, há um museu da tortura - com instrumentos usados nos prisioneiros e "demonstrações" de como funcionavam - e outro dos Fuzileiros Navais, já que o prédio ainda é a sede cerimonial do regimento. Ah, e tem fantasmas assombrando o lugar também - inclusive da Ana Bolena, que foi decapitada e enterrada ali. Mas isso é só boato, não é?



[caption id="attachment_5259" align="aligncenter" width="1024"] Enquanto eu tenho uma caixinha na gaveta, a rainha tem esse prédio aí pra guardar as joias dela[/caption]
Mas a joia da coroa (olha o trocadilho!) é a Casa das Joias: autoexplicativo, ali estão guardadas e expostas para apreciação popular as joias mais fabulosas e importantes do acervo real. Por motivos óbvios de segurança, não se pode filmar nem fotografar lá dentro. Mas posso garantir: são salas e mais salas de colares, tiaras, brincos, brasões, toda a sorte de coisas - todas protegidas por vidro e seguranças atentos. Nunca me senti tão pobre na vida! Ao mesmo tempo, eu comentava com meus botões: "Isso aqui tudo é meu! Esse ouro todo é brasileiro, saiu tudo de Minas Gerais!". Se não entendeu a piada, lembre que Portugal era a única a fazer comércio com a Inglaterra - e que todo o ouro que eles conseguiam arrancar da colônia (ou seja, do nosso país) ia direto para pagar a dívida com os ingleses. O ingresso é pago, mas vale a pena.


Tower Bridge


A famosa ponte basculante com duas torres é um dos símbolos mais reconhecidos da cidade. Com certeza você já a viu em algum filme ou clipe! Esse ponto turístico é também um ponto de travessia, e foi divertido cruzar o rio nessa ponte histórica. A Ponte da Torre - mais conhecida como Tower Bridge - é uma atração incrível. Antes de atravessá-la, esperei um pouco para vê-la em movimento: o trânsito para e em poucos minutos a parte central se abre para dar passagem a um navio. Essa é a rotina desde que a ponte fora construída, no século XIX.



[caption id="attachment_5260" align="aligncenter" width="1024"] Não estranhe os anéis olímpicos: minha visita foi bem no ano das Olimpíadas e a cidade estava enfeitada[/caption]
Aqui é possível apenas atravessar a ponte para o outro lado ou passar algum tempo entendendo o funcionamento dela no Tower Bridge Exibition. Dentro das Torres, é possível caminhar e descobrir como funcionam os mecanismos que fazem a ponte se elevar e muito mais. O ingresso é pago, e talvez não seja muito indicado para os que tem medo de altura - há uma parte com chão de vidro que pode causar certa aflição. Eu adoraria ter visitado, mas a programação do dia era conhecer mais coisas em menos tempo. Portanto, parti para a outra margem do rio e comecei a caminhada em direção oposta, voltando para a curva do rio ao invés de segui-lo.


Prefeitura de Londres, HMS Belfast e Hay's Galleria


Depois de atravessar a ponte, me vi em frente à Prefeitura da cidade - chamada de City Hall - e fiquei encantada com uma miniatura da cidade que tem em frente ao prédio, esculpida em bronze. Um prédio bem diferente e moderno, que contrasta imensamente com a sobriedade e peso histórico da Torre de Londres, do outro lado do rio. Ali também existe o The Scoop (um anfiteatro público que segue uma programação sazonal - geralmente, com espetáculos e peças sendo realizados durante o verão) que estava sendo preparado para algum evento.



[caption id="attachment_5261" align="aligncenter" width="1024"] Olha o prédio moderno da prefeitura![/caption]
Seguindo em frente, passei pelo HSM Belfast, um navio de guera transformado em museu, e cheguei a um lindo prédio: o Hay's Galleria  é um antigo galpão transformado em um complexo de lojas, restaurantes, escritórios e apartamentos. A estrutura é dividida em dois prédios ligados por um longo corredor coberto, criando um ambiente superagradável e aconchegante. Ali tem uma pequena praça com vista para o Tâmisa e uma placa com azulejos mostrando como seria a vista daquele mesmo ponto em 1800. Superbacana.



[caption id="attachment_5262" align="aligncenter" width="1024"] Essa foi tirada do passeio de barco, mas é pra mostrar o quanto é bonito esse lugar[/caption]

Southwark Cathedral


Mantendo a minha ideia de seguir a margem do rio (para não me perder), acabei fazendo um pequeno desvio logo depois de sair do Hay's Galleria. Dando a volta no quarteirão, encontrei uma pequena pérola: a catedral de Southwark. É a igreja gótica mais antiga de Londres e um lugar pouco conhecido dos turistas (convenhamos, a concorrência ali é grande). Belíssima, é majoritariamente um templo religioso. Ou seja, dá para visitar - e não precisa pagar para conhecer - mas devem-se respeitar as horas de culto. Digo isso porque eu mesma vi um grupo chegar bastante empolgado, tirando fotos de tudo e falando muito alto (porque estavam maravilhados) até que uma funcionária da igreja interveio e pediu respeito aos fiéis, que ali não era um museu e sim um lugar para reflexão. Então, fica a dica: pode (e deve) visitar essa linda igreja, mas com respeito.



[caption id="attachment_5263" align="aligncenter" width="680"] O interior da igreja é ainda mais bonito que a fachada[/caption]

Bankside


Saindo da igreja, voltei a buscar um caminho que beirasse o Tâmisa. Não demorou muito e encontramos a Bankside, uma rua que passa por vários pontos muito conhecidos. O primeiro é um charmoso restaurante chamado Anchor Bankside, que tem um ar todo especial - parece uma taverna frequentada por marinheiros. Dali se tem uma boa vista de outros pontos turísticos, mas não vou me apressar.


Seguindo, encontramos o Shakespeare Globe Theatre. Nem precisa explicar muito, né? O teatro, construído no século XVI, foi usado pelo dramaturgo William Shakespeare para encenar suas maiores obras. Destruído algumas vezes e totalmente restaurado (graças a pesquisas arqueológicas) em 1996, está aberto para visitações e visitas guiadas. Há um calendário bastante diversificado. Como curiosidade, ele não tem teto - o que significa que, durante o rigoroso inverno inglês, a programação é interrompida se o tempo não colaborar.



Tate Modern, Millennium Bridge e Saint Paul's Cathedral


Mais à frente, dois grandes ícones da cidade estão interligados por uma ponte: o museu Tate Modern e a Catedral de São Paulo (Saint Paul's Cathedral). Ele faz parte do complexo de museus Tate, sendo esse o maior deles. Fundado em 2000 em uma antiga central elétrica da região, abriga exposições e acervos de arte moderna e contemporânea. A entrada para visitar o acervo e a maioria das exposições é totalmente gratuita (embora algumas mostras possam ter ingresso cobrado à parte). Prepare-se, pois o lugar é enorme! Confesso que não visitei o lugar porque estava exausta de andar tanto - e ainda faltava um bom pedaço até meu destino final aquele dia. Fora isso, o Tate Modern, a terceira maior atração de Londres, merece um dia reservado somente à sua apreciação.



[caption id="attachment_5268" align="aligncenter" width="1024"] Mais uma foto roubada do passeio de barco: só assim pra ter noção do tamanho do museu[/caption]
Então, depois de uma breve pausa para descanso e beber uma água, optei por atravessar a ponte de volta para a margem direita do Tâmisa - mas não era uma ponte qualquer! A Ponte do Milênio, ou Millennium Bridge, é uma moderna ponte suspensa também inaugurada em 2000 (mas precisou ser interditada logo em seguida, por conta da instabilidade: resolvidos os problemas, foi aberta ao público em 2002 e nunca mais fechou), hoje é uma das atrações da cidade.



[caption id="attachment_5269" align="aligncenter" width="1024"] A caminhada pela ponte é bastante tranquila, apesar do movimento intenso[/caption]
Seguindo reto pela rua após sair da ponte, chegamos até um monumento especial: um memorial aos bombeiros - Londres tem um histórico de grandes incêndios em sua história, e os bombeiros são uma instituição muito querida e respeitada na cidade. Logo em frente, chegamos à lateral de uma igreja. Bela e imponente, acaba por mostrar sua grandiosidade quando chegamos em sua entrada principal - que tem uma estátua muito bonita e régia da Rainha Vitória. E aí fica muito fácil reconhecer o monumento.


St Paul's Cathedral é o nome mais conhecido da Catedral de São Paulo Apóstolo - e um dos mais queridos e antigos símbolos londrinos. A igreja tem a segunda maior cúpula do mundo (perdendo apenas para a da Basílica de São Pedro, no Vaticano) chegou a ser atingida por uma bala de canhão - porém, milagrosamente, resistiu quase intacta ao ataque. Palco do "casamento do século XX", do príncipe Charles e de uma jovem plebeia chamada Diana, a igreja transpira grandiosidade. São tantas coisas para ver que o turista pode comprar um ingresso com direito a guia multimídia e acesso às galerias do domo e uma vista panorâmica de Londres. Confesso que, à essa altura, eu já não me aguentava mais (sedentarismo, a gente vê por aqui) e aproveitei alguns minutos para descansar enquanto admirava a beleza do interior da igreja sentadinha em um dos bancos.


O que posso dizer desse passeio? Provavelmente foi o mais produtivo da minha viagem. Aproveitei várias oportunidades: música na rua, sorvete à beira do Tâmisa, passeio de barco, vista panorâmica, e pelo menos 10 atrações prioritárias/obrigatórias em uma viagem à Londres otimizadas em 2 dias do meu período na cidade. Curti as atrações para turistas sem me preocupar em perder tempo para outras coisas, e me provei que também é possível se divertir sem ficar paranoico procurando por lugares específicos. Toda cidade tem seu charme e seus atrativos, basta ter disposição de encontrá-los. No fim, a caminhada por esse pequeno trecho do rio Tâmisa (que, tenho que admitir, tem mais atrações turísticas por metro quadrado do que muita cidade por aí) foi extenuante e gratificante - e ficou para sempre gravado na minha memória. E é disso o que as viagens são feitas, não é?