[caption id="attachment_6756" align="aligncenter" width="1200"]Kristen Stewart e Chloë Sevigny em Lizzie Kristen Stewart e Chloë Sevigny em Lizzie[/caption]

A história de Lizzie Borden, acusada de assassinar o pai e a madrasta, supostamente a machadadas, na cidade de Fall River, Massachusetts, em 1892, permanece no imaginário popular americano até hoje justamente por apresentar mais perguntas do que respostas. O filme Lizzie, dirigido por Craig William Macneill, no entanto, prefere abrir mão do mistério e apresenta sua própria tese sobre as motivações e circunstâncias do crime, misturando algumas das teorias que se formaram sobre o caso. O problema é que o resultado de um episódio tão estarrecedor resulta apenas morno.

O grito de espanto de Lizzie (Chloë Sevigny) ao ver os corpos de seu pai, Andrew Borden (Jamey Sheridan), e sua madrasta, Abby Borden (Fiona Shaw), é o ponto de partida para que o longa retroceda no tempo, buscando o contexto dos assassinatos. A protagonista é apresentada como uma mulher de personalidade forte e desejo por independência, apesar dos protestos da família e das restrições impostas pela sociedade. O conflito com o patriarca só aumenta quando ela descobre que ele pretende passar a herança para um tio ambicioso, John Morse (Denis O’Hare).

Mas a questão central do filme é outra: a chegada da empregada Bridget (Kristen Stewart) altera profundamente a dinâmica da casa. Recebida com afeto por Lizzie, que se mostra a pessoa mais doce da casa, a jovem passa a sofrer constantes abusos do patrão, aos quais Abby faz vista grossa. A delicada relação entre as duas evolui pouco a pouco para um romance, que obviamente é reprovado por Andrew.

O longa vai criando, assim, um cenário repleto de personagens detestáveis - asquerosos, desonestos, negligentes, opressores - que deixam Lizzie num beco sem saída. Na narrativa, os assassinatos são uma vingança quase justificada diante da sequência de eventos apresentada. Mas há uma certa confusão nesse desenrolar: por querer apresentar razões demais para os fatos, baseados em rumores diferentes sobre a história real, muitas vezes a explicação soa contraditória ou, no mínimo, forçada.

O suposto romance com a empregada (e todas as consequências que o filme apresenta) poderia ser um detonador, assim como a questão financeira também caberia como pretexto. Mas um exigiria uma reação emocional forte, ao passo que a outra necessitaria de um planejamento mais frio e cuidadoso. E que papel exerceram os surtos epiléticos durante as mortes? Se ela estava fora de si, pensaria em tirar toda a roupa para evitar os vestígios de sangue ou em se livrar das armas dos crimes?

Todas as lacunas das investigações ganham respostas no filme, ao mesmo tempo, e o efeito é desinteressante. Não há dubiedade aqui, não há mistério, e o fascínio do enigma se perde num drama convencional e pouco instigante.