Sequências de franquias de sucesso entram em campo com certa vantagem e correm o risco de ficarem restritas à tal da zona de conforto. De certa forma, é o caso de MIB: Homens de Preto - Internacional, que faz tudo certinho, mas não chega a ter um desempenho brilhante. Dirigido por F. Gary Gray, o longa tem lá seus momentos divertidos, mas não chega a ser inspirado, ainda mais quando se tem - literalmente - um universo inteiro à disposição para contar sua história.

Rodado mais de vinte anos depois do original, o novo MIB tem um ar moderno, com mulheres ocupando posições de destaque e poder e com seus agentes viajando pelo mundo para salvar a Terra, num itinerário que não fica devendo ao de um James Bond. Contando com um ótimo elenco, as peças também se encaixam: a nova dupla de protagonistas funciona bem, com um Chris Hemsworth bonachão, ainda na vibe Thor Ragnarok, na pele do agente H, e Tessa Thompson equilibrando as fragilidades e habilidades de Molly, ou agente M.

O carisma de Will Smith e Tommy Lee Jones faz falta? Sim, mas, com um pouco mais de molho, a dupla formada pela novata motivada e pelo veterano arrogante teria condições de se sustentar por si só. O trajeto de M é melhor trabalhado no filme, desde sua infância, quando teve contato com um alienígena e se tornou obcecada pelo assunto, até conseguir ser recrutada.

Enviada a Londres por O (Emma Thompson), ela parece criança deslumbrada com seu próprio parque de diversões, mas leva a sério o cargo. Especialmente perto do fanfarrão H, que nunca conhecemos a fundo, a bem da verdade. Pistas sobre seu passado são ditas pelos coadjuvantes aqui e ali, mas a tentativa de mistério em torno dele simplesmente não funciona e atravanca o progresso da trama.

Só não espere muita coisa da trama em si: as supostas reviravoltas envolvendo a grande ameaça da vez, que incluem uma suspeita de comprometimento da própria agência, é bastante previsível. É o tipo de viagem em que você sabe exatamente o destino, mas busca uma cadeira confortável e um lugar na janela para apreciar a paisagem.

Infelizmente, a narrativa se apoia em uma fileira de personagens secundários dispensáveis, como Riza (Rebecca Ferguson), que nada acrescentam ao conflito principal. Pawny (voz de Kumail Nanjiani), por sua vez, tem o mérito de servir de alívio cômico e garantir um fôlego extra, mas as distrações não são suficientes para desviar a atenção do roteiro frouxo assinado por Art Marcum e Matt Holloway.

O primeiro MIB tinha a seu favor um ar mais escrachado, que usava e abusava do fato de seus personagens serem alienígenas para trazer estranheza à vida cotidiana. O atual opta pela parcimônia e resulta num filme de ação sem tanta personalidade. Seu desfecho, por exemplo, tão preocupado em deixar a porta aberta para um possível novo filme, gera nenhuma comoção. Causar uma boa impressão no espectador ainda é o melhor gancho que já inventaram.